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A vida de Padre José Marchetti foi breve. Ele viveu apenas 27 anos. Viveu 2 anos no Brasil.
Contudo, o que chama atenção é o que ele conseguiu fazer nesses dois anos que viveu aqui: é extraordinário. Vai muito além do que as forças humanas podem fazer.
Eis um mistério... Um jovem italiano, chegou aqui, viu a miséria e o abandono em que viviam os filhos dos ex-escravos e os órfãos dos imigrantes italianos e conseguiu construir uma obra de caridade gigantesca. Dois orfanatos, uma escola profissionalizante, uma marcenaria, sapataria, padaria, uma banda musical, um jornal, um hospital, casas para os missionários e missionárias de São Carlos, centros de acolhida aos migrantes no Porto de Santos e do Rio de Janeiro.
Além disso, passava dias em missão nas fazendas do interior do Estado de São Paulo, fazendo seu apostolado junto aos migrantes. Nessas ocasiões, realizava centenas de casamentos, primeiras-comunhões, confissões, cuidava dos doentes, celebrava missas e ouvia os clamores desses trabalhadores, muitas vezes explorados. Um homem realmente surpreendente. A imprensa da época o chamava de “máquina de atividade portentosa”.
Mas ele não parou por aí. Ele queria se doar mais. Assim que no dia de renovação de seus votos sacerdotais, os votos de pobreza, castidade e obediência, ele acrescentou mais dois votos, votos nascidos da generosidade de seu coração. Acrescentou o voto de vítima do próximo e o de não perder 15 minutos em vão, sem estar fazendo algo de útil para os outros.
Por tudo isso, quando ele morreu de tifo, contraído no cuidado aos doentes que eram abandonados no mato para morrer. Todos tinham medo do contágio. Ele não. Foi até os doentes, enterrava os mortos, dava os últimos sacramentos aos moribundos, cuidava daqueles que ainda tinha uma esperança de sobreviver à doença e levava os órfãos para o orfanato que ele construiu.
Acabou morrendo também ele de tifo. O que dizer de alguém assim? Quando ele morreu, todos exclamaram: “morreu um santo”.
Hoje, há mais de 114 anos de sua morte, sua presença e testemunho continuam vivos. Nós estamos agora aqui falando dele. Por algo será... Pensemos nisso e invoquemos com toda confiança a intercessão desse homem de Deus nos problemas que afligem o nosso dia-a-dia. |